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Introdução: “Ser corno” também pode ser uma fantasia
Num estudo com 822 pessoas em relações monógamas, cerca de metade já tinha fantasiado com cuckolding, seja no papel de quem observa, seja no papel de quem participa com outra pessoa.
O que o estudo demonstra é que:
- 32,6% disseram que uma relação sexualmente aberta fazia parte da sua fantasia sexual favorita;
- 80% dessas pessoas disseram que gostariam de concretizar essa fantasia no futuro;
- A investigação incluiu especificamente cuckolding entre os diferentes tipos de fantasias de não-monogamia CONSENSUAL.
Isto permite entrar directamente na pergunta:
Então, porque é que uma fantasia aparentemente tão contraditória é tão comum?
Vamos por partes.
A palavra “corno” está normalmente associada a traição, humilhação, ciúme e sofrimento. Por isso, pode parecer estranho que a mesma situação possa, para algumas pessoas, fazer parte de uma fantasia sexual.
A realidade é que fantasia e realidade não funcionam necessariamente da mesma forma. Aquilo que seria doloroso numa situação de traição pode tornar-se excitante quando existe consentimento, confiança e, sobretudo, quando acontece no imaginário. E esta fantasia está longe de ser tão rara quanto se poderia pensar...
Estudos sobre fantasias sexuais mostram que o cuckold (Corno) aparece com uma frequência surpreendente, incluindo entre pessoas que vivem relações monógamas e sejam do sexo masculino ou feminino (pois também existem preconceito que "Corno" é apenas para os homens) . Além disso, nem todos os que se identificam com esta fantasia procuram a mesma coisa. Para uns, pode estar relacionado com voyeurismo; para outros, com submissão, ciúme, transgressão, bissexualidade ou com a própria excitação perante o prazer do parceiro. E há ainda quem simplesmente goste da fantasia sem nunca querer concretizá-la.
Por isso, antes de perguntar “porque é que alguém gosta de ser corno?”, talvez seja mais interessante perguntar: O que existe realmente por detrás desta fantasia?
O que significa realmente “cuckold”?
É mais correcto pensar nela como uma família de fantasias que podem combinar diferentes elementos:
- observar
- ser observado
- ver o parceiro(a) com outra pessoa
- participar
- submissão
- humilhação
- voyeurismo
- comparação sexual
- excitação perante o prazer do parceiro
- sexo com terceiros
- curiosidade bissexual
- transgressão
Duas pessoas podem dizer “gosto de cuckold” e estarem a falar de fantasias completamente diferentes.
É mesmo uma fantasia pouco comum?
Sabia que...
51,3% dos participantes do estudo de Lehmiller relataram fantasia de cuckolding no papel exibicionista.
49,6% relataram fantasia no papel voyeurista.
- Não significa que metade da população pratique cuckolding
- Não significa sequer que metade queira fazê-lo
- Significa apena que a fantasia apareceu em cerca de metade daquela amostra.
Porque é que alguns homens gostam de cuckold(corno)?
Não existe uma única razão. A investigação sugere que a fantasia de cuckold pode reunir diferentes fontes de excitação, e nem todos os homens que a têm procuram exactamente a mesma coisa.
Para alguns, o elemento principal é o voyeurismo: a excitação de observar a própria parceira com outra pessoa. Num estudo realizado com homens, as fantasias de cuckolding apareceram associadas a fantasias de voyeurismo e de sexo em grupo.
Para outros, pode estar presente uma componente de submissão ou humilhação. A fantasia pode envolver a ideia de perder o controlo, ser colocado numa posição inferior ou comparar-se sexualmente com o outro homem. Estes elementos aparecem associados às fantasias de cuckolding em investigação sobre o tema.
Existe ainda uma explicação diferente: o prazer de ver a própria parceira sentir prazer. Neste caso, a excitação não está necessariamente em ser inferior ao outro homem, mas na própria excitação dela — uma espécie de “o prazer dela também me excita”.
E há quem seja simplesmente atraído pela novidade, transgressão e intensidade emocional da situação. Algo que, fora da fantasia, poderia provocar ciúme ou insegurança pode adquirir uma dimensão completamente diferente quando é imaginado dentro de um contexto sexual consensual.
Por isso, não é correcto assumir que todo o homem que gosta de cuckold é submisso, gosta de ser humilhado ou quer realmente que a situação aconteça.
A mesma fantasia pode esconder motivações muito diferentes.
E porque é que algumas mulheres gostam de cuckold?
Embora a fantasia de cuckold seja frequentemente associada aos homens, as mulheres também relatam este tipo de fantasia. No estudo de Lehmiller com 822 pessoas em relações monógamas, 44,5% das mulheres disseram já ter fantasiado com o papel de quem participa com outra pessoa, enquanto 27,4% relataram a fantasia de observar o parceiro com outra pessoa.
Tal como acontece com os homens, não existe uma única explicação.
Para algumas mulheres, a excitação pode estar simplesmente em observar o próprio parceiro com outra mulher. Para outras, pode existir uma componente de voyeurismo, curiosidade, novidade ou transgressão.
Também pode existir algo diferente: ver o próprio parceiro desejado por outra pessoa pode ser excitante. A situação pode reforçar a percepção da sua masculinidade, do seu atractivo ou simplesmente tornar o parceiro sexualmente mais desejável aos seus olhos.
Em algumas mulheres poderá ainda existir uma componente de curiosidade ou exploração da própria sexualidade, incluindo atracção pela outra mulher. Noutras, a fantasia pode envolver a partilha, a liberdade sexual ou simplesmente o prazer de imaginar uma situação que, na realidade, poderia provocar ciúme.
O importante é perceber que “cuckold” não significa exactamente a mesma coisa para todas as pessoas. Para uma mulher, a fantasia pode ser sobretudo voyeurista; para outra, pode estar relacionada com o desejo pelo próprio parceiro; e para outra ainda, pode ser uma forma de explorar desejos ou emoções que dificilmente surgiriam numa relação sexual convencional.
E, tal como acontece com os homens, ter esta fantasia não significa necessariamente querer concretizá-la na vida real.
Onde entra a bissexualidade e/ou homossexualidade nesta fantasia?
Esta é uma questão que surge frequentemente quando falamos de cuckold: se existe outro homem ou outra mulher na fantasia, isso significa que a pessoa é bissexual ou homossexual?
Não necessariamente.
A fantasia sexual pode incluir elementos que uma pessoa não deseja concretizar na vida real e que nem sequer correspondem à forma como se identifica sexualmente. Um homem heterossexual pode, por exemplo, fantasiar com a presença de outro homem sem desejar ter relações sexuais com ele.
Também pode acontecer o contrário: a presença do terceiro homem ou mulher despertar curiosidade ou atracção sexual. Nesse caso, a fantasia pode servir para explorar uma componente da sexualidade que a pessoa nunca tinha considerado ou que prefere manter apenas no imaginário.
Por isso, é importante distinguir fantasia, desejo, comportamento e orientação sexual. Estão relacionados, porém não são exactamente a mesma coisa.
No cuckold podem existir, assim, situações muito diferentes: desde o homem que apenas quer observar a parceira com outro homem, até aquele que também fantasia algum tipo de contacto sexual com ele. O mesmo princípio aplica-se às mulheres.
Ter uma fantasia homossexual ou bissexual não define, por si só, a orientação sexual de uma pessoa.
E é precisamente aqui que a fantasia de cuckold se torna ainda mais interessante: o terceiro elemento pode representar muito mais do que simplesmente “outra pessoa” — pode representar curiosidade, transgressão, submissão, competição ou uma possibilidade de explorar desejos que normalmente ficam fora da relação.
Fantasia ou realidade: querer imaginar não significa querer viver
Uma das maiores confusões quando se fala de cuckold é assumir que, porque alguém sente excitação com uma determinada fantasia, também deseja necessariamente concretizá-la.
Não é assim.
Uma fantasia sexual pode funcionar perfeitamente no imaginário sem existir qualquer intenção de a transformar numa experiência real. Aliás, esta distinção é importante para compreender muitas fantasias sexuais que envolvem situações de risco, transgressão, submissão, ciúme ou perda de controlo.
No caso do cuckold, isto é especialmente evidente.
Uma pessoa pode imaginar a sua parceira com outro homem, sentir uma forte excitação com essa situação e, ainda assim, não querer que isso aconteça na realidade. A fantasia permite controlar mentalmente todos os elementos da situação: quem está presente, o que acontece, até onde vai e, sobretudo, o momento em que termina.
Na realidade, entram factores que não existem da mesma forma na imaginação: emoções, inseguranças, ciúmes, medo de comparação, expectativas e consequências para a relação.
Fantasiar não significa querer concretizar
É perfeitamente possível existir uma grande diferença entre:
“Isto excita-me quando imagino.”
e
“Quero que isto aconteça comigo.”
São duas coisas diferentes.
Uma fantasia pode ser estimulante precisamente porque permanece num espaço imaginário onde a pessoa sente que tem controlo. Transformá-la numa experiência real pode alterar completamente a forma como essa mesma situação é sentida.
É também por isso que não devemos perguntar apenas se alguém “gosta de cuckold”. É muito mais interessante perceber que parte da fantasia provoca a excitação.
Para uma pessoa, pode ser observar.
Para outra, pode ser imaginar o parceiro ou parceira desejado por outra pessoa.
Para outra, pode ser a componente de submissão ou humilhação.
Outra pode sentir sobretudo curiosidade perante a transgressão.
E outra pode gostar da ideia de partilhar o prazer do parceiro sem sentir qualquer interesse pela componente de humilhação.
A mesma palavra pode esconder experiências psicológicas completamente diferentes.
E quando a fantasia passa para a realidade?
É aqui que a questão do consentimento se torna fundamental.
Uma fantasia de cuckold só pode ser vivida de forma saudável quando todos os envolvidos sabem o que está a acontecer, concordam livremente e conseguem estabelecer limites claros.
Na fantasia, uma pessoa pode imaginar ciúme, humilhação ou perda de controlo.
Na realidade, esses elementos precisam de continuar dentro dos limites previamente acordados. O que é excitante quando é escolhido conscientemente pode tornar-se emocionalmente doloroso quando ultrapassa esses limites.
Por isso, concretizar uma fantasia não significa simplesmente “fazer aquilo que se imaginou”.
Significa transformar uma fantasia individual numa experiência partilhada, onde existem duas dimensões diferentes: aquilo que excita e aquilo com que cada pessoa se sente realmente confortável.
É precisamente esta diferença entre imaginar, desejar e fazer que ajuda a explicar porque é que algumas pessoas vivem a fantasia de cuckold apenas no imaginário, enquanto outras decidem explorá-la na vida real.
E é também aqui que surge outra questão interessante:
E o ciúme?
Afinal, se o ciúme costuma estar associado à ideia de traição, porque é que algumas pessoas conseguem transformar precisamente esse sentimento numa fonte de excitação?
Quando o ciúme também pode fazer parte da excitação
À primeira vista, ciúme e excitação parecem emoções incompatíveis.
O ciúme está normalmente associado ao medo de perder alguém, à insegurança ou à sensação de ameaça dentro de uma relação. Então como pode uma situação que, em muitos relacionamentos, provocaria sofrimento transformar-se numa fantasia sexual?
A resposta está, em grande parte, na diferença entre ciúme vivido como ameaça e ciúme integrado numa fantasia consensual.
Na fantasia cuckold, a situação é previamente imaginada e desejada. A pessoa sabe que o parceiro ou parceira continua a escolhê-la, existe consentimento e, sobretudo, existe a possibilidade de separar aquilo que acontece sexualmente daquilo que significa emocionalmente para a relação.
Essa separação pode alterar completamente a experiência.
O desejo de ser desejado por outra pessoa
Existe ainda outro elemento importante.
Ver o parceiro ou parceira a despertar desejo noutra pessoa pode ser excitante porque confirma uma ideia muito simples: “a pessoa com quem estou é sexualmente desejável.”
Para algumas pessoas, essa percepção pode aumentar a própria excitação.
É uma espécie de efeito indirecto do desejo. Em vez de diminuir a atracção pelo parceiro, vê-lo ser desejado pode reforçá-la.
É aqui que o cuckold pode aproximar-se de outras fantasias relacionadas com voyeurismo, partilha ou compersão. A excitação não está necessariamente apenas na presença de uma terceira pessoa, e pode estar também na reacção emocional provocada por essa situação.
Ciúme, submissão e controlo
Em outros casos, o elemento central é diferente.
Para algumas pessoas, a fantasia envolve uma posição de submissão, inferioridade ou perda de controlo. A ideia de ver o parceiro com outra pessoa pode funcionar como uma representação sexual dessa dinâmica.
Nestas situações, o chamado “corno” pode estar associado a outras fantasias, como humilhação consensual, voyeurismo ou submissão.
Isto ajuda a explicar porque não existe uma única forma de viver esta fantasia.
Duas pessoas podem dizer que têm uma fantasia cuckold e, ainda assim, estarem a falar de experiências completamente diferentes.
- Uma pode sentir sobretudo excitação ao observar.
- Outra pode interessar-se pela componente de submissão.
- Outra pode gostar da ideia de o parceiro ter liberdade sexual.
- Outra pode sentir excitação principalmente através do próprio desejo e da sensação de estar a participar numa experiência fora da sexualidade habitual do casal.
O limite está no consentimento
Quando esta fantasia passa do imaginário para a realidade, existe uma diferença fundamental entre uma situação consensual e uma traição.
Na traição, existe quebra de um acordo.
No cuckold consensual, existe um acordo para explorar precisamente essa fantasia.
Pode parecer uma diferença pequena, porém é uma diferença essencial.
O que determina a natureza da experiência não é apenas o acto sexual em si, e sim aquilo que foi combinado entre as pessoas envolvidas.
É possível existir exclusividade emocional e, ao mesmo tempo, existir uma experiência sexual consensualmente partilhada. Também é possível que um casal descubra que gosta da fantasia enquanto imaginação, porém não se sente confortável em concretizá-la.
Não existe uma regra universal.
O mais interessante na fantasia cuckold é precisamente esta combinação aparentemente contraditória entre ciúme e desejo, exclusividade e partilha, controlo e perda de controlo.
E talvez seja essa contradição que torna a fantasia tão poderosa para algumas pessoas.
Conclusão: Da fantasia à realidade: começar devagar
Para um casal que se identifica com esta fantasia, talvez o conselho mais importante seja também o mais simples: conversem um com o outro.
Falem sobre aquilo que vos excita, sobre o que gostariam de imaginar e, sobretudo, sobre aquilo que não querem fazer. Muitas vezes, só o facto de colocar a fantasia em palavras já pode ser uma experiência bastante estimulante e ajudar cada um a perceber melhor o que realmente procura.
E quando decidirem passar da fantasia para a realidade, não existe qualquer necessidade de começar pelo cenário mais intenso.
Pelo contrário: começar devagar pode ser uma excelente forma de perceber como cada um reage à experiência real.
Uma primeira experiência pode ser simplesmente assistir juntos a uma situação sexual, explorar a componente voyeurista ou criar um cenário em que a terceira pessoa tenha uma participação muito limitada. Até algo tão simples como estar presente enquanto o parceiro ou parceira se masturba com outra pessoa pode permitir descobrir como cada um se sente, sem avançar imediatamente para uma experiência sexual completa.
Depois, podem decidir se querem ir mais longe.
O importante é que cada etapa seja uma decisão dos dois e que exista liberdade para parar, alterar ou simplesmente dizer “isto já chega para mim”.
Também é perfeitamente possível descobrir que determinada parte da fantasia é muito excitante na imaginação e não produz a mesma sensação quando acontece na realidade. Isso não significa que algo correu mal. Significa apenas que fantasiar e viver uma experiência são coisas diferentes.
Por isso, talvez a melhor forma de explorar o cuckold seja encará-lo como uma descoberta a dois, e não como algo que tem de ser feito de uma determinada maneira.
Conversem. Comecem por algo simples. Percebam as vossas reacções. Respeitem os limites. E avancem apenas quando ambos se sentirem confortáveis.
No fundo, não existe uma forma “certa” de viver esta fantasia.
Existe apenas aquilo que funciona para cada casal, desde que seja vivido com consentimento, confiança e respeito mútuo.
Perguntas e respostas sobre a fantasia Cuckold/Corno
A fantasia cuckold é uma fantasia sexual em que uma pessoa sente excitação ao imaginar, observar ou participar numa situação em que o seu parceiro ou parceira tem contacto sexual com outra pessoa.
A fantasia pode assumir formas muito diferentes e incluir voyeurismo, ciúme, submissão, humilhação, transgressão, comparação sexual ou simplesmente excitação perante o prazer do parceiro.
Não. A diferença fundamental é o consentimento.
Na traição existe uma quebra de um acordo entre duas pessoas. Numa fantasia ou experiência cuckold consensual, a situação é conhecida e aceite pelos envolvidos.
Por isso, embora possam existir comportamentos sexualmente semelhantes, o significado dentro da relação pode ser completamente diferente.
Não. Mulheres também relatam fantasias relacionadas com cuckold, tanto no papel de observar o parceiro com outra pessoa como no papel de participar sexualmente com outra pessoa.
A associação do termo aos homens é sobretudo cultural e histórica. A fantasia, enquanto fenómeno sexual, não está limitada a um único género.
A fantasia parece ser bastante mais comum do que muitas pessoas imaginam.
Num estudo de Lehmiller com 822 pessoas que mantinham relações monógamas, 51,3% relataram fantasias de cuckolding no papel exibicionista e 49,6% no papel voyeurista.
Estes números referem-se a fantasias, não à prática. Não significam que metade da população pratique cuckold ou queira concretizá-lo.
Não existe uma única explicação.
Para algumas pessoas, o principal elemento é o voyeurismo. Para outras, pode ser a submissão, a humilhação, o ciúme, a novidade, a transgressão, a comparação sexual ou a excitação provocada pelo prazer do parceiro.
Também pode existir simplesmente excitação perante a ideia de ver a pessoa desejada ser desejada por outra pessoa.
Algumas mulheres relatam fantasias em que observam o parceiro com outra pessoa. A excitação pode estar relacionada com voyeurismo, novidade, curiosidade, transgressão ou com o facto de verem o próprio parceiro como sexualmente desejado por outra pessoa, é muito mais comum do que possa parecer, mulheres em casal hetero terem a fantasia de ver o parceiro com outro homem seja em posição ativa ou passiva.
Tal como acontece com os homens, não existe uma única razão para esta fantasia.
Não necessariamente.
Uma fantasia sexual pode incluir elementos que a pessoa nunca deseja concretizar. Por isso, fantasiar com outro homem ou outra mulher não determina, por si só, a orientação sexual de uma pessoa.
É importante distinguir fantasia, desejo, comportamento e orientação sexual. São conceitos relacionados, porém não são exactamente a mesma coisa.
Não.
Uma pessoa pode sentir uma forte excitação ao imaginar uma determinada situação e, ainda assim, não desejar vivê-la na realidade.
A fantasia permite controlar mentalmente a situação, enquanto a realidade envolve emoções, inseguranças, ciúme, expectativas e consequências que podem alterar completamente a experiência.
Sim.
Embora o ciúme esteja normalmente associado a ameaça ou insegurança numa relação, dentro de uma fantasia consensual pode adquirir um significado sexual diferente.
Para algumas pessoas, ver o parceiro ser desejado por outra pessoa pode aumentar a própria excitação. Noutras, o elemento mais importante pode ser a submissão, a perda de controlo ou a intensidade emocional da situação.
Sim, e isso é perfeitamente compatível.
Uma fantasia pode ser muito excitante precisamente por existir apenas no imaginário. Quando passa para a realidade, entram em jogo emoções e circunstâncias que não estavam presentes da mesma forma na fantasia.
Descobrir que determinada situação funciona melhor na imaginação não significa que exista qualquer problema. Significa simplesmente que fantasiar e viver uma experiência são coisas diferentes.
O melhor ponto de partida é uma conversa honesta e sem pressão.
Falem sobre aquilo que vos excita, aquilo que desperta curiosidade e, sobretudo, aquilo que cada um não quer fazer. Uma fantasia não precisa de ser imediatamente transformada numa experiência real.
Muitas vezes, perceber o que realmente excita cada pessoa dentro da fantasia é tão importante como decidir se querem ou não concretizá-la.
Não é necessário começar por uma experiência completa.
Um casal pode começar por explorar a componente de voyeurismo ou criar uma situação muito mais simples, com uma participação limitada de uma terceira pessoa. O objectivo é perceber como cada um reage emocionalmente à experiência real antes de avançar.
Cada etapa deve ser consensual e existir liberdade para parar, mudar de ideias ou estabelecer novos limites.
Como já referi anteriormente uma simples situação de sexo ou masturbação em frente a outra pessoa ou pelo contrário, um casal poder observar outro casal ou pessoa a fazer sexo/masturbação é a melhor recomendação para iniciar esta fantasia. Se não for satisfatória pode-se recuar e se for pode-se avançar com bastante facilidade.
Claro que Não!
As fantasias não são religiões nem ideologias politicas onde alguém definiu regras para outros!
Aqui são vocês (o casal) que definem as vossas regras.
Para algumas pessoas, o elemento central é observar. Para outras, é a submissão, o ciúme, a liberdade sexual, a curiosidade ou simplesmente o prazer de ver o parceiro a desfrutar.
Duas pessoas podem dizer que gostam de cuckold e estarem a referir-se a experiências bastante diferentes.
O que importa é que qualquer experiência real seja consensual, segura, comunicada e boa para todos os envolvidos.
Paulo Silva
Sócio Gerente da 1001Noites Sex Shop.
A 1001 Noites Sex Shop Online foi uma ideia em 2002.
Na altura praticamente não havia oferta online e o que havia demorava mais de uma semana a ser entregue.
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